Novembro 26, 2007


Alguém me encontra no bate papo da internet e me pergunta como vai a vida. Eu respondo que é a mesma vidinha besta de sempre. Acordo, dou uma mijada, olho a cara amassada no espelho, praguejo algumas palavras e vou trabalhar. Oito horas na frente do computador. As infernais oito horas diárias, cinco dias por semana. Sapos e mais sapos engolidos vorazmente. Tudo isso para quê? Para se ter o direito de morar em um lugar limpo e decente, dirigir um carro por aí e encher a cara aos finais de semana. Então a vidinha continua a mesma, nada muda. E até que se é possível ser feliz em meio a isso tudo, não sei bem como. Somos mesmo um bando de cus e bocas, comendo, cagando e fodendo o tempo todo. Nada mais que isso. Uma ou outra coisa acontece de vez em quando, além do script. Ontem, uma festa de casamento. Pessoal do trabalho. Todos se esforçando em fazer poses e o puxa-saquismo correndo solto. Acho que é por isso que nessas horas eu me ferro na cerveja. Detesto festinhas formais. O jeito é ligar o interruptor do “foda-se” e se encharcar na birita. Beliscar a bunda da irmã da noiva é deveras perigoso, mas pode ser uma saída para salvar a noite. Colocar uma flor no decote da mulher mais peituda da festa também pode ser excitante. Lembro-me de ter sido um cruzar de pernas e um chacoalhar de nádegas considerável, mas acabei mesmo voltando cedo pra casa, e sozinho. Ah, essa merda de script, quem foi que escreveu isso? O computador na escrivaninha já estava ligado. Foi só escolher um repertório musical e apertar o play. Me atirei na cama. Não foi possível nem bater uma bronha, o sono veio pesado e me levou. É, a vidinha continua a mesma de sempre. E alguém tem dúvidas quanto a isso?

AndreLeza 12:18 AM
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Novembro 2, 2007


Chico era meu amigo de baladas, um dos poucos que eu tinha naquela época.
Era uma pessoa bacana, apreciava uma boa música como eu e gostávamos de sair para vadiar pela cidade atrás de diversão. Ele era desesperadamente viciado em sexo e gastava boa parte de sua energia na tentativa de conquistar uma boa trepada.
Eu também adorava uma trepada, mas não ficava tão aflito como ele ficava quando
nada conseguia. Quando isso acontecia, ele ficava depressivo e torrava o seu parco salário de professor em algum puteiro no centro da cidade. Eu nunca pagava por sexo,
mesmo nos tempos difíceis. Não conseguia relacionar o sexo a uma mercadoria
e, a única vez em que fiz isso, não fui bem sucedido, de nada valeu.
Chico costumava se gabar e contar vantagens:
- Zé, você é muito devagar com as mulheres. Não sabe argumentar,
não tem a manha da conquista.
De fato ele tinha razão. Eu nunca fui um bom galanteador e não era bom de lábia.
Ficava na minha, tomando a minha bebida. Se alguma garota aparecesse para uma conversa, eu até me soltava, mas se não aparecesse, eu raramente tomava a iniciativa.
Chico já era de chegar em todas para conversar e eu pegava carona.
Julgava que fazíamos uma boa parceria e costumava a brincar:
- É isso aí Chico, você chega com a filosofia e eu introduzo a matemática.
Algumas vezes me dava bem com essa estratégia.

Naquela noite estávamos em uma festa à fantasia. Era dia das bruxas, estávamos na ilha da magia (sugestivo, não?) e havia várias espécies delas por ali. Não apenas bruxas como também diabas, ciganas, mortas-vivas, estavam todas ali. Algumas bandas de rock tocavam em um palco improvisado e a cerveja era liberada. Chico e eu chegamos e ele logo ficou eufórico.
- Viu só Zé? Quanta gata, bicho!
- Pois é Chico, podemos nos dar bem.
Começamos a bebericar e a admirar as mulheres da festa. Percebi que meu amigo começou a ficar aflito. O tempo passava e ele não conseguia se dar bem, apesar de algumas tentativas. Aquilo realmente o consumia.
- Calma Chico, você gasta muita energia desnecessária por nada.
- Porra cara, eu sou assim, um devasso mesmo, sei disso!
Foi quando senti a dor de uma pisada em cheio no meu pé. Segurei o grito, mas fiquei
puto ao deixar o copo de cerveja ainda cheio cair no chão.
- Ah, desculpe-me! - ela disse.
Era uma espécie de diaba vestida de vermelho, batom vermelho e uma maquiagem branca no rosto. Estava com um vestidinho curto, deixando a mostra um belo par de pernas. Segurava um tridente em uma das mãos.
- Não foi nada, querida - disse eu disfarçando e abaixando para pegar o meu copo no chão.
- É que eu estava passando e não vi você.
- É, realmente está um tanto escuro por aqui.
Ela ficou parada me olhando. Percebi que alguma coisa em mim lhe havia agradado. Então mandei:
- Minha avó me dizia que se eu não fosse um bom menino, o diabo me pegaria pelo pé.
Se soubesse que seria uma diabona como você, teria sido um mal menino há mais tempo.
Ela sorriu. Senti que havia ganhado a parada. Fiquei surpreso comigo mesmo.
- Pois é, acho que serei obrigado a seqüestrar a tua alma - ela disse.
- A minha alma você pode levar de graça, quanto ao corpo, negociamos no decorrer da noite.
Nos abraçamos e nos beijamos loucamente. Um beijo e um abraço bem dado realmente podem dizer mais que qualquer meia dúzia de papo furado. Essa era a matemática a que eu me referia. Então lembrei do Chico. Olhei em volta e não o vi. Depois de algum tempo o encontrei sozinho e entristecido em um canto da festa.
- E aí Chico, você não é o fodão? Onde está a mulherada?
- Você só teve sorte, meu amigo.
Sorte ou não, fui embora dali com uma linda espécie das profundezas. Eu sabia que
mesmo não sendo um bom galanteador, a noite às vezes podia me proporcionar um bom resultado. No meu subconsciente, ainda podia ouvir o Chico desesperado dizendo repedidas vezes: "Eu sou um devasso, eu sou um devasso!" Lembrei-me também de uma velha canção do Walter Franco que dizia: "Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo." Ele não estava enganado.


AndreLeza 7:02 PM
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com as pupilas dilatadas


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